Dieta BARF

O que é concretamente este tipo de alimentação BARF?

BARF é um acrônimo na língua inglesa para “Comida Crua Biologicamente Apropriada” (Biologically Appropriate Raw Food).

Foi desenvolvida no final de 1980, pelo médico-veterinário Australiano, Ian Billighurst, que acreditava que a BARF refletia a convicção de uma pessoa alimentar os seus companheiros de quatro patas de uma forma semelhante à sua ascendência de lobo (cão) e lince (gato), recriando grosseiramente a composição de uma presa, porque nenhum animal está adaptado a uma alimentação processada, cheia de aditivos, conservantes ou corantes.

Na verdade, esta fórmula simples e antiga manteve cães e gatos felizes e saudáveis ​​durante séculos, tendo desaparecido no final da década de 1930 quando os alimentos processados para animais se tornaram populares.

BARF é uma dieta totalmente crua, maioritariamente carnívora, com cerca de 20% de vegetais e fruta. A base da BARF são os ossos carnudos crus, pescoços, asas, dorsos, vários tipos de carnes desossadas, peixes, ovos e vísceras, a que se adicionam alguns suplementos naturais, que são as fontes de minerais, ácidos graxos e vitaminas.

Os legumes ricos em amido e óleos vegetais, cereais e grãos são tidos como alimentos biologicamente inadequados para carnívoros, e não entram na composição de uma boa tijela de BARF.

Porquê dar BARF aos nossos animais de estimação?

Os cães e gatos são carnívoros, biologicamente preparados para comer carne e ossos crus, graças ao pH ácido do seu estômago, ao sistema digestivo curto e à estrutura morfológica dos seus dentes e das mandíbulas.

Alimentar os animais à base de uma dieta crua, tem inúmeros benefícios rápidos e duradouros. Sendo a comida fresca, natural, crua, não cozinhada e não processada, esta está repleta de nutrientes que os nossos animais precisam e desejam, incluindo as enzimas necessárias para uma boa digestão e absorção de nutrientes.

Uma dieta biologicamente apropriada para um animal de estimação, é a que consiste em alimentos crus semelhantes aos que comiam os seus antepassados ​​selvagens, o lobo e o lince. A comida deve conter carne muscular, osso, gordura, carnes de órgãos, vegetais e pedaços de frutas combinados com o equilíbrio correto, tal como a Mãe Natureza pretendia.

Porque é que a ração processada não é boa para os animais?

O principal ingrediente da ração seca, e que normalmente vem em maior quantidade, são os cereais!!! O principal ingrediente da alimentação de cães e gatos deve ser a CARNE. 

Além disso, as rações secas têm muitos conservantes, corantes, sal e muitos aditivos. Estes aditivos são colocados para tornar a ração mais apetecível aos cães e aos gatos, para que comam em demasia, criando muitas vezes habituação.

A grande maioria das rações tem grandes teores de hidratos de carbono. Estes valores têm como consequência o excesso de peso, diabetes e outros problemas de saúde. Os cães e gatos devem comer poucos hidratos de carbono.

E não esquecendo que a comida dos nossos animais não deve ser cozinhada! Deverá ser fornecida crua tal como na Natureza. Ao cozinharmos a comida estamos a retirar-lhe a maior parte do seu valor nutricional. 

Porquê é que a maioria das pessoas dá ração ao seu cão ou gato?

Infelizmente é verdade!

As marcas têm estratégias de Marketing fantásticas. Muitas empresas dão grandes descontos e benesses a veterinários e criadores para que as recomendem.

Patrocinam exposições, anunciam fortemente nos canais de TV, na internet e nas revistas da especialidade e pagam a algumas pessoas mais influentes, tais como veterinários, actores e alguns famosos, que recomendem as suas rações.

A sua campanha publicitária tem estratégias manipuladoras, conseguindo incutir nas pessoas um sentimento de culpa se optarem por outro tipo de alimentação. 

Além disso, a falta de tempo que hoje em dia os donos têm para preparar a comida diariamente para os seus amiguinhos de quatro patas, leva a que escolham o que é mais cómodo e rápido.

No entanto, a maioria das pessoas nem lê os ingredientes que vêm nas embalagens que compram e que dão como alimento ao seu amiguinho!

Leia sempre todos os ingredientes que vêm descritos na embalagem! Certamente vai encontrar na lista conservantes, agentes corantes, aditivos, grãos, farinhas, cerais, produtos químicos, enchimentos… e muito pouca carne!

Durante o processo evolutivo esses tipos de alimentos secos artificiais e convenientes, podem causar inúmeros problemas de saúde a longo prazo para o seu animal de estimação.

O veterinário do meu cão/gato recomenda a ração seca porquê?

Se o seu veterinário recomenda a ração comercial, provavelmente será devido a uma falta de aprendizagem independente, já para não mencionar os patrocínios das principais marcas…

Convém também lembrar que os veterinários não têm muita informação sobre nutrição na universidade. Mas estamos na era da internet, portanto o seu veterinário não tem desculpa para não estar informado sobre todas as opções de dieta.

Felizmente alguns veterinários já compreenderam que há opções infinitamente melhores para cães e gatos que as rações comerciais, e muitos dos que mudaram o seu ponto de vista sobre a alimentação apropriada, arrependem-se de não o terem feito mais cedo!

Os gatos também podem comer BARF?

Claro que sim! A dieta BARF para gatos é a escolha mais natural para alimentar estes animais, assim como no caso dos cães. É a dieta mais parecida à alimentação que levariam no seu estado selvagem, já que inclui pedaços selecionados de carne crua, cartilagem, vísceras e pequenas quantidades de vegetais, assim como outros complementos.

Quais são os benefícios da BARF?

Enumeramos alguns dos mais visíveis:

-  Melhora o sistema digestivo. As digestões são mais rápidas e melhores.

- Limpeza natural dos dentes, dispensa as lavagens, destartarizações e evita as doenças das gengivas. 

- Os cachorros desenvolvem-se a um ritmo mais adequado e os pulos de crescimento não acontecem. O crescimento demasiado rápido não é uma coisa desejável num cachorro. 

- O rasgar e mastigar envolvido nesta alimentação desenvolve os músculos da mandíbula, do pescoço e dos ombros, coisa que é impossível com a ração seca. 

- Melhor controlo de peso, fortalece os músculos.

- Redução da produção de fezes, que se tornam firmes e com menos odor.

- As alergias e intolerâncias alimentares desaparecem na grande maioria dos animais.

- Os cães que sofrem de artrite melhoraram significativamente.

- O sistema imunológico é fortalecido aumentando a esperança de vida.

Mas não há bactérias na carne crua?

Sim há bactérias por todo o lado. Mas os cães e gatos têm um sistema imunitário fantástico e especializado em comer toda a diversidade de bactérias. Um animal saudável lida com isso maravilhosamente, sem problemas!

E-coli, salmonelas, etc. aparecem na carne crua, mas estes bichinhos também podem ser encontrados no seu frigorífico, no seu lavatório, no chão, no carro, no quarto e em muitos sítios que habitualmente frequentamos e tocamos.

Há casos de cães que morrem por e-coli ou salmonelas, que comiam exclusivamente rações comerciais. O mais importante é lavar as suas mãos muito bem após alimentar o seu animal de estimação, e mesmo depois de cortar carne para as suas próprias refeições, assim como lavar bem todos os utensílios utilizados. O nosso sistema digestivo não é tão robusto como o dos nossos cães e gatos, de modo que devemos de proteger-nos!

Para aumentar a segurança das dietas cruas, as carnes, vísceras e os ossos carnudos, devem ser comprados em estabelecimentos idôneos e devem ser submetidos ao congelamento por pelo menos três dias antes de serem oferecidos. Essa medida destrói protozoários e cistos de parasitas.

Como se prepara a BARF?

Preparar a BARF requer tempo e deve ter-se em consideração o equilíbrio nutricional, conhecendo bem os ingredientes, quantidades e garantir que se incluem todos os nutrientes essenciais em cada refeição do seu amiguinho.

Comece com o básico: um conjunto de diferentes carnes com osso ou preferencialmente peças inteiras, tais como frango, peru, vaca, codornizes, peixes ou ovos.

O ideal será depois juntar alguns vegetais e frutas, tais como maçã, cenoura, courgette, pera, couve… etc, e alguns suplementos nutricionais.

Se acha que isto é uma aventura muito grande, ou não tem tempo suficiente para se dedicar à preparação, tem sempre a alternativa de comprar dieta Yum (que é distribuída pela Cãonosco), e traz já tudo preparado dentro de um saco com a comida congelada. É só descongelar e servir ao seu animal de estimação.

A dieta Yum é composta por alimentos crus que seguem exaustivos controlos de qualidade, e ao passar pelo processo de congelação evitam os patógenos. Comercializa-se em sacos de diferentes formatos e variedades, onde pode encontrar diferentes ingredientes como a carne de vaca, frango, cordeiro, salmão, vegetais, peru, etc. Além disso, estão livres de cereais, glúten e conservantes.

Há um antigo mito que diz que o consumo de carnes cruas pode deixar cães agressivos, e que eles podem “tomar gosto por sangue”. É verdade?

É mito puro! Não existe nenhum elemento presente na carne crua capaz de modificar a índole de um animal.

Além disso é preciso esclarecer que a carne crua não contém sangue. O sangue é drenado após o abate dos animais de produção e destinado a outras indústrias. O líquido vermelho que vemos escapar das carnes, principalmente depois de descongelar, é transudato e não sangue. O transudato é simplesmente água que escoa da carne contendo um pouco de hemácias (glóbulos vermelhos) e hemoglobina (o pigmento das hemácias que transporta o oxigénio).

Mas mesmo que tivesse sangue e que o animal o ingerisse, não haveria problema algum! Beber sangue não leva animal nenhum a se tornar satânico ou sanguinário. O sangue é apenas só mais um tecido do corpo, rico em nutrientes que são digeridos e assimilados normalmente.

Há pessoas que criticam a alimentação crua, devo mudar ou não?

Independentemente do tipo de alimentação que escolha para dar ao seu animal de estimação, há sempre o risco de alguém criticar a sua decisão. Contudo você deve decidir o que é melhor para o seu amiguinho. Faça a sua pesquisa e a sua análise. Pondere os benefícios e os riscos. Faça aquilo que trouxer o maior benefício à saúde geral do seu cão ou gato, com o intuito dele estar a seu lado feliz por muitos anos.

Qual a quantidade que deve ser dada diariamente?

A quantidade varia em função do peso do animal, podendo ser administrada em duas refeições (uma de manhã e outra à noite) correspondendo a 2% ou 3% do total do peso do animal. A maior percentagem será para animais mais energéticos.

Se o seu animal come uma vez ou come três vezes ao dia, poderá continuar a fazer as refeições a que está habituado sem problema. Simplesmente divida a quantidade de comida no número de vezes que habitualmente lhe costuma disponibilizar.

Por exemplo:

Se tiver um cão que pesa 25kg, que corre e brinca o dia todo, deverá dar-lhe uma refeição pela manhã de 370g e outra à noite de 370g (total diário = 740g que corresponde a aproximadamente 3% de 25kg).

Se tiver um cão com 10Kg, que passa mais tempo a dormir e em casa tranquilo, deverá dar-lhe 200g numa única refeição, ou 100g pela manhã e 100g na refeição à noite (total diário = 200g que corresponde a 2% de 10Kg).

Nos cachorros, a proporção a dar é de 3% a 10% do total do peso do animal, consoante os meses de idade que tiver.

Nos gatos a percentagem é igual aos cães adultos.

A percentagem de comida baseia-se no peso ideal que o animal deve ter, e não no peso real em caso de possuir excesso de peso. Em qualquer das situações, recomenda-se sempre que consulte o médico veterinário para introdução da BARF.